Essa idéia surgiu como uma vertente do estudo do movimento urbano, tentar interferir no espaço urbano de uma forma camuflada, ou de uma forma que não cause muito ruído no espaço. Um contra-corrente do estilo predominante de comunicação da rua, que se utiliza de cores fortes e vibrantes, como o graffiti e publicidade. Percebi, também, que a cidade “se limpa” periodicamente de cinza, beje ou branco, seja pela ação da prefeitura ou de particulares. O trabalho consiste em utilizar elementos da rua como estética.
O primeiro trabalho consiste em uma colagem, foram serigrafias sobre jornal pintado de branco e recortados em formar de flores (que nessa área do bairro Tijuca já são lugar comum). A flor estava estampada com textos escritos em preto. Tentei remeter aos cartazes populares de propaganda colados na rua, que geralmente são xerox em preto e branco com texto preenchendo toda sua totalidade.
O segundo trabalho consiste numa pintura num cilindro de respiração do metrô. Primeiro pintei umas flores pretas e depois cobri de branco deixando sua sombra por baixo, mas na pintura de branco deixei alguns espaços sem pintura em formatos de flores, que revelavam o muro original e pedaços de flores pretas pintadas anteriormente. Escrevi junto o texto: “Camuflagem n.2: Estudo para revolver a problemática urbana em meio saturado de ambições.” como explicação do trabalho.
O Terceiro trabalho consiste em uma produção de cartazes no formato A1 registrado no video arte: movimento urbano 02. que foram colados em alguns pontos da Tijuca. nesse foram utilizados o Branco representando o normal de um muro, a Tinta spray preta representando a pixação, a colagem de pedaços de textos, a agua, representando a chuva, a confusão representando o caos urbano e as flores em stencil representando outra atitude urbana.
Na execução desse trabalho teve uma certa polêmica, eu colei em cima de um Graffite 3 cartazes. O motivo foram vários. Primeiro porque eu tinha cobrido de branco um trabalho antigo meu na rua e deixei para pintar no dia seguinte, sendo que no dia seguinte quando voltei já tinha um graffite ocupando todo o espaço, então não deixei de realizar um trabalho ali no espaço, mas a ação caiu como uma luva, foi interessante até para o trabalho Movimento Urbano colar um trabalho em cima de um graffite. Mas não foi bem entendido e rolaram algumas desavenças e no final acabei perdendo o espaço, o graffite continua e ainda foi retocado.
Esse trabalho ainda não teve continuidade, mas a idéia ainda permanece no ar, quando fui fazer o trabalho Música Atonal pensei um pouco nessa estética de se camuflar no espaço e não causar muito ruído. No meu Flickr tem imagem de toda essa série de cartazes.









